Bastidores Agitados: Entenda a Crise de Gestão e Identidade que Assola o SBT

O Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), uma das maiores emissoras do país, vive um de seus momentos mais delicados. Longe de ser apenas uma questão de audiência, a crise atual do SBT tem suas raízes em problemas profundos de gestão e identidade, decorrentes principalmente da transição de poder na era pós-Silvio Santos.

Com o final de 2025 se aproximando, e as recentes tentativas de reestruturação do prime time falhando em consolidar o segundo lugar, a pressão interna sobre os executivos nunca foi tão alta.

1. O Vácuo de Liderança e a Crise da Sucessão

O problema central do SBT é a ausência (ou a presença intermitente) de seu fundador e figura central.

  • A Era Pós-Silvio: Silvio Santos, que historicamente era o principal programador e o maior ativo da emissora, afastou-se gradualmente do comando diário. Esse vácuo de liderança é o cerne da instabilidade. A gestão atual, liderada pelas filhas, como a CEO Daniela Beyruti na área de programação, tem o desafio hercúleo de modernizar o canal sem destruir o DNA populista e carismático deixado pelo pai.
  • Decisões em Conflito: As constantes mudanças na grade e os projetos cancelados prematuramente sugerem que a gestão busca um equilíbrio instável: satisfazer as demandas do público por novidades, cortar custos e, ao mesmo tempo, resistir à tentação de resgatar o modelo de TV de auditório que já não é sustentável.

2. A Crise de Conteúdo e a Queda na Audiência

O resultado mais visível da crise de gestão é a dificuldade em se manter na vice-liderança de audiência, sendo frequentemente superado pela Record TV.

  • Fim dos Clássicos, Início da Incerteza: O SBT historicamente dependeu de dois pilares: programas de auditório de Silvio Santos e a compra de novelas mexicanas de baixo custo. O fim (ou diminuição) desses pilares não foi acompanhado por uma substituição orgânica de conteúdo original.
  • Novos Formatos, Velhos Hábitos: Tentativas de lançar programas de alto custo com apresentadores contratados a peso de ouro (como [Mencionar um programa recente que não funcionou, ex: um talk show noturno ou um reality show de baixo desempenho]) acabaram desestabilizando o horário nobre sem criar um público fiel. O público do SBT tem migrado para plataformas de streaming ou para o jornalismo/reality da concorrência, que se mostra mais competitivo.
  • O Dilema Financeiro: A gestão precisa investir em conteúdo para subir a audiência, mas a baixa audiência impede a atração de grandes anunciantes, criando um círculo vicioso de baixo investimento e baixa performance.

3. O Maior Desafio: A Crise de Identidade

Mais do que audiência, o SBT enfrenta uma crise de identidade que a gestão ainda não conseguiu resolver.

  • O Que É o SBT Hoje? Emissoras como a Globo têm o prestígio e a Record tem o jornalismo e os programas religiosos como âncoras. O SBT, no passado, era a casa da alegria despretensiosa e da programação familiar do domingo.
  • Foco Difuso: A grade atual é uma colcha de retalhos: há espaço para reality shows de baixo custo, programas matinais longos, e repetições de infantis. A emissora não consegue definir se quer ser uma TV premium ou popular, nem se o foco deve ser o jornalismo ou o entretenimento. Essa falta de foco confunde o espectador e o anunciante.

Para que o SBT estabilize sua gestão e volte a ser competitivo, a nova liderança precisará de duas coisas: paciência para permitir que novos projetos criem raízes e, acima de tudo, uma definição clara e corajosa de qual é o novo DNA do canal na televisão brasileira do século XXI.

cena pos credito

Políticas de privacidade

Políticas de cookies

Termos de uso

Siga-nos

© 2025 Blog Cena pós-créditos